Take me to the station and put me on the train. I've got no expectations to pass through here again.



sábado, 6 de fevereiro de 2010

Camurça









Você, sentado na última mesa do bar, aquele encostado no fundo, onde a sua vista existe sobre tudo e longe de possíveis lábios. Você desejava rasgar a pele para sentir algo além do conhaque, que não te colocava em cima ou em baixo; não lhe tornava torpor. Nunca torpor.
De longe eu via sua cara de duas da manhã sem nada para aquecer, sem nada para te colocar deitado. E você implorava isso com seu jeito torto de ficar sozinho, pedindo atenção. Um vira lata abandonado, uma criança sem colo, malas sem zíper, lábios fugindo do seu desespero estampado em camisa cinza. Tinha uma dose virando em você, olhos tornando-se seus naquele momento, tinha a sua cara de estar sozinho olhando a minha. Ah, minha expressão de estar vindo de longe para te encontrar na ponta do último abismo.
Eu, meus pulsos, meus pulos de abismo em abismo, minhas culpas esfarrapadas e sujas, uma dose virando em mim também; no primeiro banco do bar.
Paredes verdes para esconder seus olhos, minhas mãos escapando, estava tudo tão longe. Será que você saberia me encontrar na rua, no trabalho, no show, atravessando estrelas? Minha blusa cor de rosa iria te falar sim ou não? Chão de passos molhados. Chovia mais do que o normal, luzes sensuais envolvendo insetos. Não havia nem música no bar. Apenas um banheiro com uma porta cheia de escritos, bêbados elegantes e sobrancelhas erguidas. Minha saia de camurça passeava sozinha até que alguém conhecido chegasse. Uma amiga havia dito que iria se o cara dela não estivesse na cama. Pelo jeito ele chegou mais cedo do trabalho e ela se ocupou de amor e lençol. Eu estava sozinha. A noite de paredes verdes seria só minha.
Seus olhos refletidos no espelho tirado delicadamente da minha bolsa. Seus lábios refletidos no espelho em minhas mãos para ver teu jeito de ficar sozinho. Não precisava ser tão bonito. Seu corpo de ver a noite passar, escorria pelas minhas pernas através do reflexo de um espelho pequeno. ‘Your Love is mine’, eu sussurrava no seu ouvido em pensamento.




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Novembro

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Happy Birthday,


my dear Alice Cooper




sem biografias ou declarações.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quando construí castelos de areia para suportar o sal, não mencionei a força usada para subir e descer tantas vezes.



'De todas as pessoas no mundo, algumas com tantos porquês e palavras que se espelham como espuma rala; fumaça de cigarro velho. Tantas as caras e o tanto faz vago e retraído, vazio. Já me cansam demais as bocas murchas de não saber o que pensar sobre a vida.
Arroto de volta ingressos de shows em que é permitido fantasia, lavo com pedras o muro das conversas desagradáveis. São paredes, muros, arrotos. Só que dessa vez não alardearei tragédia para provocar cuidado de olhar chapado.
Que a verdade é vidro.'


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Meu peito é de sal de fruta. Fervendo no copo d'água.


O que acontece, existe por si só. Nada precisa ter o sentido de uma carta inteira, amada, entregue, compreendida, só porque eu, eu e a minha vontade de viver a vida, não podemos esperar mais do que cinco minutos até que faça efeito o grito saído da boca, com todas as expectativas. Eu acordo e me desnudo como num desamarrar de laço forte que me aperta cada vez menos, ao me movimentar. Sei o que digo, o que faço tá na minha cara e no meu jeito de sentir. E quando o muro encobre o meu rosto, por um dia, uma semana que seja, eu tenho as pernas para correr, porque estou vivendo. O mais, no meu desejo de ser mais, é a fonte da vida pra acordar no alto e sentir profundo.


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Choveu o Seco

Parece que eu estava descabelada em meio a mentiras provadas através de digitais em copos quebráveis. Eu não sabia, eu não acreditava; aquela minha verdade bagunçada nos olhos e na boca iria se partir num piso novo. Cheiro de novidade na casa, cheiro de janela aberta pra fumaça sair. Aquilo tudo de jeito e vontade, de colo e ombro pra gente se juntar, pra me ver partida antes mesmo de quebrar, como se eu fosse a beleza e a transparência para se soltar. O chão seria o limite, pois do céu já havia provado. O inferno para aquecer pernas de quem chora por bem ou por mal. Lábios marcados em nucas de um abraço cheio como copo com chopp. Deixando tudo para acabar, tudo para gritar, o mundo vir me buscar com o sorriso de querer ficar e eu dizia baixinho que já estava lá. Mas ele não estava lá. Desculpe a sinceridade bem esclarecida, ele não estava lá.
Doeu ver listras e roteiros de sofá de couro em lugares que eu não conhecia. Doeu ver gestos e brechas de mãos em maneiras de tentar falar alguma coisa que me fizesse provar, assim como a minha digital e o meu olho d’água naquele lugar. Desconhecido em páginas e jornais para uma semana depois. Distâncias inauguradas com festa e bexigas de oxigênio sem falta de ar. Meu beijo para dar se foi, havia ido através de loucuras amarradas ao meu cabelo solto. Solto e bagunçado de vendaval na sombra.


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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Libertar, Respirar, Partir, Ultrapassar




Me arrebenta a cara por ser interna e derrubar faíscas por aí. Me bate a coisa dura e forte que trago nas costas e no sorriso. Ou me deixa livre na escolha de não acatar conserto. Meu queixo é um suporte para fotografia móvel, não tenho ritmo de decorar afirmação. É sim ou é não. Minha verdade é esta grama em frente à varanda branca de tarde e chuva. Vem, vem chovendo na constância de tempo e noite. Madrugada vindo pelas minhas pernas, pêlos cortados na raiz do meu ventre de dizer verdade. A certeza é essa intensidade no chão.
Me arremata além dessas estrelas que conto, que vejo, que sussurro e ninguém vê. Um pouco do que amo vem me dar a mão. Pulsos abertos e, pelo meu tempo, estou bem na hora de alagar mostrando a cara de firme opinião. Pois o que há no peito não é choro, não é dor. É essa força de libertar a alma de grades e correções. Não me interprete mal, meu bem. É só um jeito torto de existir em linhas curvas de contraste sobre a vida. Essa coisa, esse universo, dimensão de caos e acaso na minha mão. E não giro ao umbigo, não rodopio em instantes de pessoas em mim, sou o lado de fora e o que você não vê nas pupilas de quem já chorou. Meu sono é vasto contentamento de sonhos e músicas que não param de tocar. E se eu sou uma melodia, minha gente, sou a graça de não ser certa para ensinar. Mas isso, se eu digo, é pecado não consumado e exposto em flores pela casa. Paredes da cor do vento que me surgem como palavras para derramar aqui e naquela vontade de arrancar realidade, seja como for, da manhã.
Eu não me agüento nessa decência de segurar riso ou dor. Eu não te agüento nessa melancolia de se dobrar em partes impublicáveis. Em trechinhos de sobe e desce e língua de vagar. Não te suporto em caos lento e reflexo no que não te abala, mas te recorta em pedaços de invisibilidade. Você existe e eu nem sei mais. Não te acompanho nessa preguiça de não filosofar ou não lutar pelo amanhã. Porque enquanto eu me desembalo, vocês cospem a burrice de esperar, na testa. E ver esse tal tempo passar, é o absurdo de se remediar com muro alto e parcimônia.
Mas viver, viver mesmo, é arregaçar os verbos para dizer, mostrar alguma coisa em tanta instância de vida calada. Aborto da confusão de não revolucionar caminho. Não ver sentido em ser sim ou não.
Eu sou um Sim bem grande escrito na minha cara com vontade de me arrebentarem a alma e o tufão.



'Suja o pé na lama e venha conversar comigo.'

domingo, 24 de janeiro de 2010

meio segundo


Eu não quero fumar. Você não é um trago mal dado, uma ferida exposta, um remédio para cólica. Você é espaço e não nó em mim. Você é espasmo, carro na estrada, ônibus vazio, idéia provável.
Eu te falei sobre despedidas e mudanças. Eu te encostei no meu peito e te fiz respirar. Coloquei meu rosto em sua insegurança para te acalmar. Sua inspiração esburacada o deitou longe de mim. E o que me dá só faz parte da vontade de me ver acontecer além do seu lado da cama. Você caiu e deixou cheiro onde haviam minhas próprias maneiras de dormir e acordar.
Fotografias te matam aos domingos e a minha nostalgia acende fogueiras de segundas-feiras intermináveis. Escândalos, projetos de sonho e vinil. E se não choro, meu bem, é para você não acordar.
Quando ligou o carro fui ver se a marcha era aquela coisa triste em sua mão. Duplo sentido que te fazia sorrir enquanto dirigia. Mas dessa vez você só ofegou. Morria na estrada, numa sensação de vida que você temia, sempre temeu, renega. Sua solidão é um casaco apertado demais para vestir no inverno. Esse verão foi a coisa mais fria de não ter seu abraço para me juntar.
Você é daqui a ali, uma rua de terra que eu não sei onde dá. Não tem farol, poste, buzina. Você vai sozinho de um jeito que eu não vejo mais daqui. Não acompanho com olhos de mulher que já deu trago, ferida, cólica. Me dei um remédio que funciona na colher de não sentir culpa pela sua parte da cama ter afundado. Você era aquele monte roupa no chão.
Quando saí do carro, aflita de despedida que fingia mais um dia. E esse mais um dia qualquer era você saindo da minha frente com um sorriso sem graça de quem não vê mais graça em ter e nunca viu sentir em ser. Mas isso, isso a gente não vê. É uma coisa junta que não te agrada, um amor forte que te prepara pra vida e você não quer. Não eu, cama, chão, mas você.
Quase feliz na mesa do bar pra falar que tem pêlos no saco e língua na boca. Desistência de tocar o chão, implicância que o que é, é só terra pra se afundar.
E agora, músicas de despedidas; daquelas que você me sugeriu num álbum de 88. Eu nasci e você já ouvia mundo, mesmo que o mundo te fosse um rock nacional anos 80 descoberto através da TV. Sua idade é a beleza que eu vi primeiro. Antes, antes de ter sido a sua menina, quando eu ainda era para você a visão de um passado delicado. E isso não tem gosto ou cheiro, mas me faz pensar no que seria antes de eu chegar.
Agora, se eu não te fumo, não te tomo em goles, em remédios a gota, em músicas de carnaval, escrevo como um disco ouvido pela primeira vez. Este mesmo, você sabe. Eu quase te encontrei atrás da loja de Cds, na esquina onde você caiu sem dó.


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Domingo, 24 de Janeiro de 2010



Eu vou te encontrar nos muros cobertos de folhas, lugares adormecidos pelo tempo. Eu vou te encontrar em outras passagens dessa vida, quando tiver mais coisa pra dizer. Eu vou te encontrar nas torres de 130 andares, por trás das malhas de vidro. Caindo no esquecimento, no futuro que eu não sei se haverá.
Vou te escutar nas finas antenas de metal. Vou ver teus desenhos no jornal, um rosto distante se apagando no meio da multidão.


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'Desenhos no Jornal' de Sá, Rodrix e Guarabira.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Liberdade é mais importante que ter asas e mais importante que espaço. Ser livre por dentro é ser livre de qualquer maneira.











Me deixa falar sobre tudo o que já disse antes. Repetir os verbos e as intransições que o meu coração declama. Me deixa dizer tudo o que sinto até que eu tenha que criar um novo sentido. Provocar palavras como quem empurra um carro novo do abismo, sujar as mãos com verdades inteiras no percurso.
Me deixa ficar bêbada e vomitar as frases brancas e curtas que usam para foder inocentes histórias de amor. Histórias de amor ao avesso. Xingar as mentiras cruas que enfiaram na minha boca enquanto eu dormia. Dormia com o nariz espremido no travesseiro, os pés virados para cima e os lábios afogados em silêncio.

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Heartbreaker, your time has come.







Venha me pegar, pequeno bandido. Porque eu já cansei de esperar do outro lado do muro, que você venha roubar a tranquilidade pagã das minhas manhãs calmas. Meu espirito e toda a minha lucidez me obrigam a pensar em você como naqueles filmes estrangeiros que só passam depois das 11, reprisados na madrugada frívola de carnaval. Venha me buscar porque a noite vem contrária. Porque meu corpo e o teu olhar de malfeitor seduzem as unhas pintadas de vermelho, levam-me direto para as tuas costas, direto para você. E se ainda é cedo para respirar ou ameaçar falta de educação, que o tempo acabe no último minuto; que não reste nada além de horas que já se esgotaram. Venha agora. Venha para aquecer a extremidade física do meu querer determinado, que tanto esteve machucado, que tanto buscou ser algo além de puro e preciso sentimento incontrolável. Venha me pegar, me botar no lugar onde tua loucura é a racionalidade dos que possuem frio. Porque o valor, o peso e a densidade dos cortes nas minhas pernas, proporciam a temperatura capaz de te manter em pé. Porque não somos aliados às inconstâncias vagarosas que só caem quando o tempo é bom. E ainda costumam dizer que nos apressamos para mergulhar em mares fundos, quando as pedras estão na margem. Mas se é o perigo que te faz me ouvir, se é o risco que liberta meu tormento não mais atormentado, destruo uma por uma as razões para ficarmos onde estamos.
Venha me pegar, desdobrar, me revirar. Porque não existem porquês possíveis de serem respondidos. É apenas o teu corpo e o meu na palma da mão do mundo. E, mesmo assim, alucinados e vagabundos, estamos em extinção.


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Fevereiro de 2009.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Elisa não pode mais enfiar os pés no esgoto, acumulando sujeira entre os dedos, para feder lembrança do que já passou.


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sábado, 16 de janeiro de 2010

leveza densa

'Pelas pernas.
Me sobem abraços pelas pernas e quando chegam nos joelhos choram. Sou uma flor que boia em águas de amores e bruscas separações. Se me toca, me vê a pétala. Mas arrisca o miolo após o espinho que, do caule, só o que faz é assustar sua pele?
Boio sobre a coxa, mas aconteço no centro, sustento o intenso. Não tenho gravidade, mas afundo na profundidade do tudo'


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Muralha da China


Era desse tipo:
pegar meu coração e me empatar. Me fazer doer para calar a boca, ajoelhar e dizer baixinho: benzinho, me coloca no colo.
Porque na hora de me ver tirar os olhos de dentro do céu, na hora de me ver mover o corpo, era uma maluca de vestido e tatoagem no peito. Sou, para vistas retraídas, uma louca com imensidão e vontade de acontecer, de chegar perto, de falar na minha voz.
E aí, tem sempre uma coisa idiota para me fazer pensar nisso mais de duas vezes. Tem sempre uma coisa irritante e blasé de quem não fala nada, de quem não move nada que não seja a sobrancelha. Só para me fazer lembrar da coisa toda. Nesse ponto já dá para sacar: pegou meu carinho e enfiou no cu. Só pode ser. Porque parece a muralha da China, de tão passivo e sem reação.



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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

'Depois que a gente vive um grande amor não aceita mais migalhas.'

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

além disso





Tudo o que eu tenho é o que sou. E, por isso, nunca fui outra coisa para convencer, para parecer caber de um jeito apertado. Nunca forcei meus contornos para ficar onde não me queriam, não bebi da água do rio que corre sem cessar. Jamais desacreditei no fundo sem isso ou aquilo. Eu sempre busquei a vida como ela é, apenas não deixando dissipar o que eu sou. Apenas não aceitando contratos de trocar-me por um carinho um pouco mais forte.

É verdade que me enrolei, muitas vezes, em coisas ditas, em bocas mordidas, em mãos que me tiveram nua e inteira. É verdade sim meu gosto de tentar acreditar nos braços que me faziam pedir colo, ou nos ombros para dormir depois de uma longa noite de chuva. Foi real a dor de me entregar pelo avesso, de me entregar sem beiradas, de me enfiar güela a baixo mesmo em gargantas cortadas. Foi sincera a minha arte de confiar até em coisas já perdidas, no que queria consertar de alguma forma. Foram reais os erros e os pecados para me encharcar na confiança de coisas maiores. Na vontade de molhar também meus amores. Amores que não foram muitos, que não foram comigo ao final de tudo, que procuraram um motivo para afogar e afogaram na areia; a um passo de mim.
Minha intenção aqui, veja bem, não é vitimar meus toques e lágrimas. Não é enforcar meus dizeres para mostrar marcas. É apenas dizer que, depois de tudo, o que tenho cada vez mais é o que sou. O que se torna cada vez mais mundo, cada vez mais espaço e passos largos para dar. Instantaneamente, inevitavelmente, sou cada vez mais poço do que há lá no fundo e que hoje nem mesmo se deita ao fundo de mim. Sai pela boca em gestos, carinhos, sinceridades para mostrar sentimento na pele. E essa força, essa intensidade completamente em pé, erguida, determinada, é minha estrada de ponta a ponta. Eu sei, eu sei. Muito nova, há pouco tempo era inocente. Mas tenho comigo uma eternidade de emoções não explicáveis em anos e dias. Há mais oceano do que vontade de brincar de pular ondas. Há realmente mais convicção do que coisas para questionar. Desse meu coração que só amou na vontade de confiar em profundidades e cotidianos imperfeitos. Em atitudes que não fogem, que não me deixam fugir, que não fazem fugir.
É verdade. Às vezes me pergunto se existe o tamanho de intensidade do outro lado também, do lado de quem vier me segurar a cintura. Se há mesmo uma força compatível para dormir e acordar sem o peso de ter explodido em bombas de apertar. Se eu devo ficar calma com tanta coisa que vesti e desnudei, vivo meus dias não na espera, mas na esperança de tamanho maior para respirar. Sem me importar e me culpar a certeza que é sentir sem limitações.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

No expectations




Me olhava sabendo que seria a última vez. Me olhava daquele jeito, um pouco mais perto do que o normal, porque sabia que se tratava de uma despedida cujos relógios não andavam. E eu falava, e eu falava, e eu respondia àqueles olhos que não me largavam, que não paravam de observar meu tom, minha cor, minha voz querendo chorar. Não deixavam meu rosto pra lá, não deixavam meu corpo passar. Tentavam me segurar enquanto ensaiavam um jeito de ir embora. Voltar para dentro de si, para dentro da distância e da ausência que se estabeleceria entre nós.
Sabíamos, tudo estava indo, tudo estava deixando de ser riso de mãos dadas e proximidade. As coisas todas pelas quais nos sentimos juntos não aconteceriam mais. Não haveria um amanhã para ombros e olhos próximos. Não haveria palavra ou silêncio que resolvesse tudo, eu percebi, quando o vi afastar os pulsos dos meus. Naquela tristeza de se olhar pela última vez e não parar de se olhar pela última vez até ser, enfim, a última vez.
Para isso, após rostos que se encararam e lágrimas sumidas na noite, compreendi a delicadeza de cortar qualquer espera no começo. Sabe, aquele pensamento ingênuo que diz que o tempo seria solução. Esse pensamento que não durou nem 10 minutos e evaporou com a chuva da tarde, com os minutos esgotados, com o ralo para onde tudo foi arrastado. Que dor, que desacordo esse olhar tão perto, tão certo, ter sido o último bem no meio de tanto motivo para não se fechar. Nada nos dividia, ao não ser aquele instante de tempo insignificante, que não me importava pela duração, mas pelo atraso da noite que viria de qualquer jeito. Pelas portas das ruas fechadas, as estações vazias, o copo sem água e sem gelo, sem boca, sem língua. Pela dificuldade em aceitar razão para ser o momento dos olhos que não se entendiam frios, mas partiam enquanto me olhavam. Partiam como vidro que se parte com um toque banal, que é frágil e ocupa um lugar sozinho no alto da estante. Eu me sentia o cômodo onde a estante estava, onde a altura das coisas me partiam como se eu fosse pedra dura que não parte.
Eu o olhava como quem havia cessado as palavras. Ficava no gesto de quem faz guerra e paz com os olhos. Porque, eu sabia, nada mudaria a necessidade que aqueles pulsos tinham de parar de se moverem, de afastarem de mãos, coxas e cabelos. O que eu realmente tinha alí, minha vida, não acabaria em uma noite de olhares feito abraços que eram despedidas cegas. Olhos cegos que se viam tão perto e se buscavam tão longe. Pela fragilidade, pela saudade de chegar e o medo de não alcançar.
Eu perguntei pela última vez, e então deixei meus olhos fixarem aquela linha fina antes do primeiro passo à frente.



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Sou eu



Pilhas e pilhas de Cds para colocar meus sonhos no alto. Uma nova canção para despertar, um filme antigo para combinar com a noite e chove antes das 23 horas. Mas preciso saber se o meu jeito de gostar assusta teus ventos fortes e se o jeito como eu durmo parece uma fuga para você: Eu sonho demais, tenho cores sujas nas blusas de frio, meu inverno é sempre intenso e eu aqueço com os olhos. Isso poderia te doer?


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14 de Dezembro de 2009.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tempestades de janeiro


Eu imaginei que viriam textos e mais textos sobre todos os detalhes e todas as maneiras de se dizer as mesmas coisas. Cheguei a escrever uma coisinha aqui, outra alí. Mas sinto como se simplesmente não houvesse tempo para moer caroço de fruta já cuspida, analisar confusão, embebedar com o que sobrou. Mas, a verdade, é que não sobrou nada disso. Não existe nem mesmo saudade, pois quem vi pela última vez não é quem costumava ver no começo. No começo de tudo, quando parecia bom.
Daqui a pouco, meus livros, e músicas, e ruas, e beatles tocando contentemente, e pessoas para olhar de perto. Daqui a pouco, a primeira semana bagunçada de janeiro, será apenas uma semana em 365 dias. Eu sou sim intensa demais para ficar parada com algo ou com uma miudeza cortada com faquinha de plástico.
Na verdade, mudo um detalhe; algo ficou sim. A experiência de que de nada adianta tentar minimizar como sou ou como sinto por receio de parecer diferente demais para alguém. Em algum momento as profundidades escapam, - o que é ótimo! Isso pode aproximar ou afastar. É simples. E o resultado, bem, o resultado é simples também. Sim ou Não.

Agora, para mim, não existem textos, músicas, vontade de chorar, de entender, de falar mais sobre isso. Sim, pela primeira vez, não sinto a menor vontade de analisar, explicar, descrever. Acabou e pronto.

Chove, escorre, evapora.



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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cherry Bomb!




Uma coisa vermelha. Sei lá, nos olhos, nas mãos, nos lábios, na cara de choro reprimido; aquela coisa de quem quer cortar e não tem faca. Uma tristeza só! E eu lá, sentada com minha saia e os cabelos ainda úmidos de chuva. Olhou meu jeito próximo de dizer a verdade e falar sem beiradas - porque a situação era de eixo. Então fui ao eixo.
Ele reclamou com o movimento de mão na testa que aquilo não poderia ser bom. Mas bom estava enquanto nos entrelaçávamos em lençóis comprados para algumas horas. É claro que ele fingiu que isso havia sido distração. Que eu machuquei o coraçãozinho dele falando o eixo de gostar sem beiradas, partidas e reticências. Havia um ponto e eu estava nele. O que o fez cagar nas calças com os olhos nos meus. Entrega é difícil quando a gente quer dormir abraçado no outro. Fácil é dar de bandeja quando não se tem nada. E nós tínhamos alguma coisa entre a garganta e a calça jeans, antes mesmo da roupa ir pro chão.
Mas depois, 4 dias depois, estávamos naquele lugar de música ao vivo e água com gás. ‘Alguém me traga o balde para chorar’. Mas calei a boca e o choro não saiu. Mantinha a coisa vermelha nos olhos dele perto de mim e falava a vontade do abraço não soltar. ‘Alguém me traga a máquina do tempo para nos resolvermos antes de acontecer’. Mas o silêncio das baladas tocadas ao vivo naquele lugar me diziam para deixar de esperar. E na espera eu já havia perdido fome, sono, movimento, paz. Foi rápido. Morri nuns dias, vou nascendo no outro.
Mas ele lá, aquela camiseta nova, as mãos na testa de não saber o que dizer, de não ter a faca para cortar o laço. Sim, o laço que havia entre meu mundo e o dele. Sabe? Vontade de pegar o carro na tal estrada de terra, ouvindo San Francisco Nights, para molhar na chuva e grudar o corpo de frio suado. E eu queria. Queria tanta coisa, que no meu jeito de olhar o assustava. ‘Alguém me traga a pedra para quebrar tudo e mostrar o eixo.’ Mas as pessoas começavam a deixar o lugar, as horas passavam na música acústica sobre nossas cabeças, e o mundo nos obrigava a ir embora. Quer dizer, embora um do outro. Mesmo sabendo que eu estava ali para ir com ele. Blá, blá, blá. Eu disse, não é? Alguém teria que falar. Então eu falei e levei um tapa frouxo de ‘não dá mais não sei porque’. Não sei porque.
Abri os olhos, bocas, pulsos e aquela coisa vermelha correndo por mim. Porque eu estive perto, porque eu havia chegado perto, porque eu fui ficando perto. Não parece que eu sou uma bomba que explodiu nas mãos do cara que dizia não ter medo de segurar firme? A cereja que explodiu em sua boca. Bonito, ele me deu esse texto para vomitar. Já de tão verdade, de não ter o que negar, do que acabou por uma coisa vermelha exposta: Meu sentimento, meu sentimento. E o meu vermelho nele indo embora. Assim, como o meu gostar agora.


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Igualdade


Também sozinha, mas não é culpa sua. Eu vim antes, quando a minha solidão era só medo de mostrar mundo pro mundo.
Quando grande crescendo ainda mais, quando intensa sentindo ainda mais. Não te peço para entender. Estou solta e um animal selvagem é ventania quando solto pela primeira vez. Minha primeira vez só doeu a certeza de ir mais longe, e distante nem sempre é um trem de despedida. Meu caminho é no chão e eu não suporto a idéia do que pulsa e não me olha nos olhos. Pra falar, pra bater, pra sentir, sou a mulher com os pés no chão. Vem olhar, acreditar, minha solidão não é mais desculpa pro medo. O medo é raiz que libera o tronco forte. Minha força fortalecendo; amor. - vem sempre em seguida. Minha ida é continuar andando sobre a terra. Não quero voar, não voe sobre mim. Quero incansavelmente olhar nos olhos, absurdamente tocar, escandalosamente dizer a verdade, ouvir a verdade. Mesmo ainda me sentindo sozinha sem mim. E por isso não me perco no horror de me perder. Quero amar sem perder-me de mim, sem questionar fogo ou terra. Minha estabilidade é a coisa forte do aceitar choro, riso, gozo, maravilha do caminho indo adiante. Minha solidão é um tapa leve, uma palavra sussurrada, um lugar abandonado, uma loucura abafada. Minhas costas, meu chão, tudo o que acabou, tudo o que ta pra nascer e o que vem existindo.
Eu não preciso controlar, dirigir, organizar e determinar a hora pra explosão de estrelas. Não é culpa sua, não foi culpa dele, de ninguém. Sou eu e minha vontade de amar também, por mais clichê que isso possa parecer. Eu no chão e você também.

Insanos Dezembros que acabaram


Eu inventaria uma desculpa velha e torta para jogar na cara de quem viesse me questionar. Enfiaria um copo com whisky na boca, construiria a muralha ao meu redor e me dobraria como quem se esconde em becos sujos. Aumentaria dores, exageraria absurdos já desmentidos, imitaria minha cara de pedra longe do mar e cantaria a amargura do medo de tentar.
Mas agora, olhando meus olhos sem muros e trancas, quero a sinceridade de quem é humana.
Me apaixonar é abrir minhas mãos, com as mesmas covinhas de menina, e relaxar o ombro na cama ao dormir. Me apaixonar, dessa maneira, é dizer seu nome com a naturalidade de quem escreve um texto, num sábado de madrugada. Me apaixonar, ter dezenas de verbos para colocar no nosso plural, é esticar os pulsos para o mundo. Vestir o colar enorme de pérolas e abrir o peito para ficar mais bonito. É emocionar um sei-lá-o-quê já emocionado. Algo que venha para mim sem retoques.
Rebolo meu corpo de respirar fundo porque estou querendo a humanidade de quem é sincera. Sinceridade é um abraço forte depois de um show sujo de Rock; você tem o ombro relaxado do outro para dormir. E eu não sei se dá para entender dessa maneira, mas eu dormiria no jeito confortável que ele tem de me confortar com a realidade. Uma sala de vidros, chuva, são Paulo, caos, ‘fico com você até o último metrô’. Arriscamos essa coisa boba do tempo para termos mais tempo para nós e nossos plurais de planos para o fim de semana. Acho que de tudo e tanta coca-cola com canudo de cinema, o que mais gosto em você é essa vontade de proximidade sem medo da visão embaçar. Sabe? Teu ombro vai chegando mais perto e meu medo de antes é um rio que um dia cortou o mar, apenas. Me fez chegar aqui com vida e maneiras de ouvir sua pulsação enquanto deito no seu colo. E, ainda não falei, mas seu colo é a minha primavera nos dentes. Uma música dos Secos e Molhados para arrepiar e para eu chamar de orgasmo musical. Tua cara de safado que gosta do meu jeito de nuca na sua, é minha intensa fragilidade de mulher que veste saia em coxas brancas. Não me bronzeio, mas no seu espelho sou comestível como um chocolate. Derreto em sua boca através de títulos de músicas que usamos para nos expressar e dizer, de forma quase sutil, que somos pessoas capazes de amar. Assim como quando eu prendo meu cabelo do jeito que você gosta, entregando minha nuca de poros nus. Inteiramente.
Fecho e abro os olhos o suficiente para resolver largar o tempo e deixar você chegar em fotografias que existem. Deitar a cabeça no travesseiro com o ombro relaxado de quem está apaixonada, de quem sabe que o muro é um espaço possível de invasões e jardins. Tô pouco me fodendo pro medo de sentir, porque ser é um sentimento grande de todos os amores juntos. E, nesse momento, tudo junto é você num amor só. Que eu solto, libero, abro, entrego. Sinceramente.

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27 de Dezembro de 2009.

'Quando a alma é livre,não tem filho da puta que segure' - Lobão
'O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca. Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal. Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos, beber um Benedictine ardente. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela. Eu estava esperando. Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação. A verdade é que sou inconstante, com estímulos sensuais em muitas direções.
Fiquei docemente adormecida por algum tempo, e entrei em erupção sem avisar'
- Anais Nïn
Para quem me odeia:

Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço. Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.

- Fernanda Young