Eu estou com muito, muito medo de me desapontar com minhas palavras e com meu silêncio. Tremendo a sensação imatura de arrependimento que nem aconteceu. Chorando a seco ansiedade de corpo mordido. Sofrendo uma dor que não tem lugar nem permissão para existir. Que teimosamente invade meu sono e minhas atitudes de perda. Minhas atitudes de auto sabotagem e perda de equilíbrio com meu salto.
É domingo e eu choro uma ausência ridícula de certeza. Convicção - da minha parte - oscilando em luzes gastas de pisca-pisca. Aqui está minha dor e eu estou olhando-a como uma mãe que acaba de parir um risco impossível de ser deixado. Meu corpo já está aberto de sereno da madrugada e mãos espalhadas pelo corpo. Mas ainda assim tenho medo de acontecer e de não acontecer. De olhar para isto com um buraco no peito, de ser arrancada de mim mesma. Nas minhas atitudes de perda.
Mas encaro a verdade do que foi proposto por corpo e tesão avermelhado. Meu medo não é ser descoberta em círculos de pele e boca, mas de ser aberta com o tal rasgo para expor minhas experiências como troca e venda de um produto inconfiável. E o que eu sei, de tão profunda e desmascarada é que não há como voltar atrás com meu instinto de me entregar ao perigo. Entregar meu corpo como fonte de proposta para solucionar engarrafamento de emoções, acúmulos de inspirações, libertações de eu mesma para eu mesma.
Meu medo é arrebentar a cara num beijo de leve, mesmo que seja a coisa mais doce e, principalmente, a mais rápida. Me sinto a pena da asa de um anjo. Mas já voei o percurso do ínicio e não posso repetir a espessura do vento agora.
Agora eu já estou na roda, já fui aberta de todas as formas e não quero me afundar em mim mesma para não mostrar sentir. Que sentido seja falha, vergonha, vulnerabilidade. Pra puta que pariu com tantas regras de intensidades e texturas de eixo. É isso o que eu sou desde o começo e continuo lutando na batalha dos meus erros para não tentar acertar. Esfrego meu rosto na curva da paixão e por mais estranho que isso possa parecer, não saio do carro para evitar a colisão do ônibus que eu nem sei mais se vem. Se chega, se realmente chega em mim e me faz parar de falar.
Mas por enquanto, ainda com medo, armo meus olhos para aceitar realidade sem morrer de respiração intalada.
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1 comentários:
sabe aquele desabafo poético que sempre quis escrever? já não preciso mais.
pior que não basta todo dia me armar, o pior é correr atrás de munição
belíssimo!!
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