Falo minha língua, meus temores existem debaixo d'água, vivi um circo de locuras antes de chegar na estrada, meu carro tá com a traseira quebrada, escuto Bossa no domingo, chuva é abraço e marca. Eu sempre corri. E assim cheguei até aqui.

domingo, 22 de novembro de 2009

Olhos Armados



Eu estou com muito, muito medo de me desapontar com minhas palavras e com meu silêncio. Tremendo a sensação imatura de arrependimento que nem aconteceu. Chorando a seco ansiedade de corpo mordido. Sofrendo uma dor que não tem lugar nem permissão para existir. Que teimosamente invade meu sono e minhas atitudes de perda. Minhas atitudes de auto sabotagem e perda de equilíbrio com meu salto.
É domingo e eu choro uma ausência ridícula de certeza. Convicção - da minha parte - oscilando em luzes gastas de pisca-pisca. Aqui está minha dor e eu estou olhando-a como uma mãe que acaba de parir um risco impossível de ser deixado. Meu corpo já está aberto de sereno da madrugada e mãos espalhadas pelo corpo. Mas ainda assim tenho medo de acontecer e de não acontecer. De olhar para isto com um buraco no peito, de ser arrancada de mim mesma. Nas minhas atitudes de perda.
Mas encaro a verdade do que foi proposto por corpo e tesão avermelhado. Meu medo não é ser descoberta em círculos de pele e boca, mas de ser aberta com o tal rasgo para expor minhas experiências como troca e venda de um produto inconfiável. E o que eu sei, de tão profunda e desmascarada é que não há como voltar atrás com meu instinto de me entregar ao perigo. Entregar meu corpo como fonte de proposta para solucionar engarrafamento de emoções, acúmulos de inspirações, libertações de eu mesma para eu mesma.
Meu medo é arrebentar a cara num beijo de leve, mesmo que seja a coisa mais doce e, principalmente, a mais rápida. Me sinto a pena da asa de um anjo. Mas já voei o percurso do ínicio e não posso repetir a espessura do vento agora.
Agora eu já estou na roda, já fui aberta de todas as formas e não quero me afundar em mim mesma para não mostrar sentir. Que sentido seja falha, vergonha, vulnerabilidade. Pra puta que pariu com tantas regras de intensidades e texturas de eixo. É isso o que eu sou desde o começo e continuo lutando na batalha dos meus erros para não tentar acertar. Esfrego meu rosto na curva da paixão e por mais estranho que isso possa parecer, não saio do carro para evitar a colisão do ônibus que eu nem sei mais se vem. Se chega, se realmente chega em mim e me faz parar de falar.
Mas por enquanto, ainda com medo, armo meus olhos para aceitar realidade sem morrer de respiração intalada.




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1 comentários:

Marcelo Mayer disse...

sabe aquele desabafo poético que sempre quis escrever? já não preciso mais.
pior que não basta todo dia me armar, o pior é correr atrás de munição

belíssimo!!

'Quando a alma é livre,não tem filho da puta que segure' - Lobão
'O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca. Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal. Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos, beber um Benedictine ardente. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela. Eu estava esperando. Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação. A verdade é que sou inconstante, com estímulos sensuais em muitas direções.
Fiquei docemente adormecida por algum tempo, e entrei em erupção sem avisar'
- Anais Nïn
Para quem me odeia:

Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço. Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.

- Fernanda Young